Eu já...

18.01.2018

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Já guardei segredos de tal maneira que quando tocaram no assunto de novo parecia que eu nem sabia. Já escrevi um livro, mas ninguém leu. Já escrevi textos para uma pessoa ela percebeu e me perguntou, mas eu menti. Já escrevi tantas cartas que se juntassem todas eu teria outro livro. Já desisti de amigos porque eu não sentia que gostavam de mim (mas gostavam). Já aceitei coisas que odeio por medo de ficar sozinha. Já fui pedida em namoro e disse não. Já me pediram em namoro, eu disse sim, mas a pessoa voltou atrás. Já corri sem motivos, até me sentir mal. Já pensei em ir embora e deixar tudo pra trás, mas eu não tive coragem. Já me arrependi de ter dito ou feito coisas, mas o orgulho não me deixou assumir. Já chorei por histórias sem sentido. Já orei por pessoas que nem sabem que existo. Já fingi ser superior para não deixar outros felizes. Já calcei sapatos apertados para ninguém dizer que meus pés são grandes. Já vesti roupas que achava feia para agradar as pessoas. Já tentei ser gótica. Já desisti de ser gótica. Já quis ser médica, atriz, jogadora de vôlei, advogada, fisioterapeuta, professora, cantora, pintora, dançarina, apresentadora, empresária, dentista, administradora, publicitária. Já quis ter um hamster. Já quis dormir e não acordar nunca mais. Já fiquei acordada esperando o sol nascer e dormi uns minutos antes de acontecer. Já quis raspar meu cabelo. Já joguei fora 12 cadernos com coisas que escrevi sobre mim. Já montei vários blogs. Já escrevi uma música. Já tentei impressionar. Já fui decepcionada por meus melhores amigos. Já decepcionei. Já pedi desculpas sem estar errada. Já me arrependi de ter escrito várias cartas. Já me perguntei o porquê do meu nascimento. Já fui esquecida. Já fui lembrada. Já fiquei sem dormir por medo do escuro. Já vi assombração. Já confundi pessoas na rua. Já tentei tocar violão, teclado e flauta. Já tentei costurar uma roupa. Já comprei roupas que nunca usei. Já falei gírias com meu chefe. Já fui unicofoga. Já mandei “kkkkk” enquanto chorava. Já gritei em uma sala cheia de pessoas. Já joguei meu celular na parede ( relaxa, era nokia). Já recebi cantadas de uma mulher. Já quebrei um coração. Já menti para não fazerem mais perguntas. Já fiquei com a voz embargada. Já tentei apagar da memória tudo que vivi. Já desisti. 

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