A HISTÓRIA DA TRANSIÇÃO CAPILAR DE MELISSA OLIVEIRA

 

 

" Desde os meus 10 anos minha mãe alisava os meus cabelos. Eu não compreendia muito o porquê mas, eu sonhava em ter os cabelos lisos como as minhas amigas da escola.

 

Eu já vivia um complexo por ser acima do peso e vivia sofrendo bullying na escola, então pelo menos os cabelos lisos eu tinha. O ideal para que não prejudicasse o cabelo era fazer o alisamento de 6 em 6 meses. Sendo assim eu vivia com os cabelos presos quando a raiz dava sinais.

 

O tempo foi passando e eu fui crescendo e detestando ficar horas no salão para fazer o alisamento. Entrava as 8 da manhã e saía ás 2 da noite, ás vezes mais tarde. Todos os finais de semana, minha mãe colocava rolinhos no meu cabelo e ficava mais 2, 3 horas no secador...

 

_ Ahhh não se esqueça de "rodar a touca"!

 

Era sempre assim!

 

Tenho diversas fotos no final de semana onde encontrava meus primos para brincar. Era só eu de rolos na cabeça, pois a mamãe colocava de manhã e eu ia para o secador á noite para economizar luz. Quanto sofrimento não é mesmo?!

 

 

Aos 21 anos eu já tinha passado o período dos 6 meses sem alisar e comecei a colocar as mãos na raiz do meu cabelo e percebi que eu tinha cachinhos. Eu se quer me lembrava de como era o meu cabelo antes do alisamento. Foi então que decidi: vou cortar! Eu tinha uma viagem para a praia marcada e não queria sofrer com o cabelo e sem poder entrar no mar.

 

Sai e no primeiro salão que vi entrei e pedi: "Corte o meu cabelo por favor?!" O cabeleireiro não acreditou. Estava com o cabelo bem grande. Mais um pouco daria pra vender se quisesse. Falei com ele que poderia cortar "Joãozinho". Ele se assustou mais ainda mas, foi legal comigo. Me disse que eu sentiria muito se cortasse tudo de uma vez. Portanto fez um corte curto mais ainda deixando parte do cabelo alisado.

 

 

O desafio maior depois do corte era voltar pra casa e encarar minha mãe. Entrei em casa arrumei melhor o cabelo e me escondi no banheiro. Quando ela chegou eu disse: "Mãe tenho uma surpresa, você está preparada? Por favor, se senta!". Ela achou que eu estava brincando. Eu disse novamente: "Mãe se assenta, é sério!". Quando sai e ela me viu, não acreditou. Sua expressão era de profunda tristeza. Então eu perguntei: "E aí mãe?" Ela me respondeu: "Eu cuidei tanto do seu cabelo, fiz de tudo e você faz isto!? Esta é a maior decepção da minha vida!!" Te pergunto: Como dorme com esta frase na cabeça?!

 

Bom, eu sempre fiz e faço o que acredito e tenho vontade. Disse pra ela não se preocupar, que cabelo cresce de novo. E assim comecei a minha transição. Mais 6 meses e tirei o restante do alisamento. Fiquei com os cabelos bem curtinhos. Comecei a ver mais sobre como hidratar, qual a melhor maneira de pentear. Busquei óleos e cremes que se adaptariam melhor ao meu tipo de cacho e assim fui conhecendo.

 

Hoje meus cabelos já estão no tamanho de quando cortei e me sinto completamente livre. Não vejo trabalho em cuidar dos cabelos. Ah! Eu fui a primeira da família a fazer a transição, depois todas as mulheres foram atrás, inclusive a minha mãe que tem os cabelos como os meus.

 

 

Transição pra mim foi mais que um desafio, significou minha liberdade. Das químicas e das convenções. Pois, como minha mãe me disse quando eu perguntei a ela sobre o porquê dela alisar meus cabelos, ela me respondeu que para as pessoas, as mães que tinham as filhas com os cabelos como os meus, eram consideradas desleixadas, que não cuidavam bem das filhas. Hoje vencemos dia a dia este pensamento enraizado e cabe a nós continuar ensinando a tantas meninas e meninos nas nossas famílias e escolas que elas podem ter o cabelo que quiserem!! #VivaOsNossosCachos "

 

Ao Fala Day só posso dizer: "É um prazer dividir minha história!"

 

 

 

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