A HISTÓRIA DA TRANSIÇÃO CAPILAR DE CAMILA FERREIRA

" Tudo começou quando eu nasci. Minha mãe descobriu que meu cabelo seria difícil de lidar, porém ela faria de tudo para me ver feliz ( detalhe o cabelo da minha mãe é liso). Durante muitos anos minha mãe acreditou que meu cabelo iria mudar de textura e era questão de tempo. Como o cabelo dela era liso, ela não sabia como cuidar e como me emponderar de modo a aceitar quem eu era. Era uma situação nova para ela, eu super a entendo, na época não havia ninguém ao redor que incentivasse os cachos e a moda era o relaxamento para deixar o cabelo mais fácil de cuidar e mais “bonito”.

 

Aos 5 anos de idade, relaxei o meu cabelo, na época me sentia um máximo, porém nada mudou o fato de bullying na escola acerca do meu cabelo e de minha beleza. Eu era chamada do clássico "cabelo bombril" e de feia. Houve uma vez que o grupo de meninas que eu andava na primeira série, decidiu não mais andar comigo alegando que eu era feia (anos mais tarde, eu me questionei: era porque eu era negra e não tinha o cabelo como o delas, liso,?).

 

 

 

Continuei relaxando meu cabelo por muito tempo e nesse meio minha mãe sempre lutando, procurando cremes novos, opiniões novas para me proporcionar o melhor. Na minha adolescência por volta de 14 anos decidi fazer progressiva, pensava que isso seria o primeiro passo para ser bonita e conquistar quem eu quisesse (inocente e não sabia kkk). Após a química me senti pior com meu cabelo, mas nunca tive coragem de mudar, pois acreditava que seria taxada de feia novamente. Sofri bastante a para me aceitar como sou e me achar bonita, minha autoestima era péssima, mesmo as pessoas tentando me ajudar eu não me enxergava como bonita.

 

Foi apenas em 2014 em que comecei a ver mulheres negras com cabelos crespos assumindo sua identidade que decidi iniciar minha transição, já estava cansada de ferir meu couro cabeludo com química e secador. Procurei diversos salões de beleza e nenhum foi bom o suficiente para incentivar de fato uma mudança radical.

 

Em 2015 procurei um salão denominado beleza natural, imaginei que eles fariam algo para o meu cabelo sem precisar de química alguma (mera ilusão). Incentivaram e me convenceram a passar um produto que deixaria meus cachos soltos e naturais, conclusão: fiquei insatisfeita e ainda mais curiosa em saber como era meu cabelo de verdade.

 

Meses mais tarde voltei no salão apenas para fazer o corte para minha transição. Na época eu não sabia nada sobre transição capilar, big chop... Eu fui movida exclusivamente pela vontade de conhecer meu cabelo natural. No meio dessa luta, minha mãe, mesmo eu já adulta, procurava os melhores cremes, uma melhor solução para eu me sentir bem com meu cabelo. Em uma coisa boa o salão "Beleza natural" nos foi favorável, minha mãe encantou com os cachos e cabelos crespos das poucas mulheres desse salão. E então minha mãe começou a me incentivar a cortar o cabelo, fazer o “grande corte”. Eu sem coragem, achando que iria ficar feia não fazia.

 

No final de 2017, minha mãe me sugeriu a irmos no "Nega Iza" para tentar uma hidratação nova, mas no fundo ela queria me incentivar a cortar todas as mechas lisas. Fui convencida pela minha mãe e pela cabeleireira a cortar tudo, chorei horrores kkk. Minhas amigas tentaram me incentivar, a Isadora foi uma delas, na época ela disse para eu conversar com a Dayanne ( do Fala Day ️) pois ela já havia feito a transição. Foi ótimo, pois me senti acolhida e com força para me aceitar.

 

 

 

Com o passar do tempo fui me aceitando e me valorizando, hoje, 2019 , depois de tanta luta me sinto muito bem com meu cabelo. Faço tranças, deixo black e sou mais feliz. Agradeço muito minha mãe que nunca desistiu e é minha melhor amiga, sem ela essa transição não seria possível!

 

Aprendi a amar meu cabelo e me aceitar melhor do jeito que sou, por isso meninas não desistam e sejam exemplo, assim como a Day foi para muitas que ainda não tiveram coragem de se assumir.

 

Com certeza o Fala Day me incentivou. Mostrou produtos, como hidratar, dicas incríveis e mais que isso, me acolheu em um momento difícil de aceitação. Deixo aqui o meu muito obrigada"

 

 

 

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© 2016 por Dayanne Stefanie | Orgulhosamente criado com Wix.com